Texto base: Mt 14: 22-33
Depois de um dia cheio de atividades e ensinamentos e após a recepção de uma notícia triste (a morte de João Batista), Jesus e seus discípulos embarcariam para atravessar o lago em destino a Betsaida (Mt. 6:45).
Enquanto Jesus despedia as multidões - perceba que não era pouca gente, visto que momentos antes Ele havia alimentado mais de 5000 pessoas – os discípulos já foram entrando no barco.
Após a saída das pessoas, Jesus foi ao monte para orar. O tempo passou, veio a tarde, a noite e o Mestre ainda não havia descido. Enquanto isso, o barco com os discípulos já tinha caminhado uma distância considerável da beira do lago.
Neste cenário, o inesperado acontece, o Mestre se aproximou do barco caminhando sobre as águas!
Diante disso, convido a você a refletir em algumas lições que este episódio nos traz.
Ventos contrários ao nosso favor
Lemos a partir do v.24 que o barco estava longe, a muitos estádios, isso quer dizer por volta de 5 e 6 km, o que seria metade da travessia que precisariam realizar.
Também temos o relato de que as condições não estavam tão favoráveis para velejar. O barco estava sendo açoitado pelas ondas que se formavam porque o vento estava muito forte e contrário. Teoricamente, ventos e ondas não seriam grandes problemas para os discípulos, considerando que no grupo havia alguns pescadores experientes que já estavam acostumados com situações deste tipo.
Mas, mesmo com toda a experiência e definição de objetivo, estes fatores contribuíram para que o rumo dos discípulos fosse redirecionado. O objetivo inicial era de atravessar para chegarem a Betsaida, mas, acabaram indo rumo a Genesaré (sudoeste de Cafarnaum).
Muitas vezes em nosso viver temos objetivos fixos e contamos somente com a nossa experiência, nossa inteligência, mas, esquecemos de convidar o Senhor a participar de nossas decisões. E, então, são necessários ventos contrários para nos colocarem no rumo que Deus que e fazer-nos sair do nosso.
Ele é Senhor de tudo. Faz com que ventos contrários sejam ao nosso favor, porque o melhor para nós é caminharmos no centro da vontade de Deus. O poder Dele manifesta-se até mesmo nas situações em que tudo parece tão adverso. Ao compreendermos isso, poderemos ver Jesus, caminhando bem perto do nosso barco.
Reconhecimento do poder de Deus em todas as situações
Logo que os discípulos viram o Mestre caminhando sobre as águas ficaram assustados, gritaram de medo e até pensaram que fosse um fantasma.
Mal parece que estes mesmos homens haviam visto o milagre da multiplicação dos pães e peixes pouco tempo antes de subirem no barco. Eles tiveram participação direta, serviram às pessoas e recolheram as sobras de pão. Viram o milagre muito perto, mas, já não conseguiam reconhecer ao Mestre.
Que dificuldade temos, assim como eles tiveram, de enxergar as manifestações de Deus em nossa vida!
Diariamente o Senhor opera milagres em nós, mas como os discípulos, o nosso coração fica endurecido e não compreendemos o manifestar da graça de Deus em nós.
Ele está ao nosso lado, nos encorajando, dando provas constantes de seu poder, graça e amor.
Confiar no Deus do impossível
Aquele que é soberano sobre tudo nos diz: “Tende bom ânimo, sou Eu, não temais!”.
Com exceção de Mc 10:49, todas as outras vezes que a palavra grega tharsei (utilizada para expressar ‘tende bom ânimo’) é dita por Jesus, podemos notar que o verbo está no imperativo, denotando uma ordem.
Ele nos ordena termos bom ânimo, porque pode nos assegurar que Ele está e estará sempre conosco.
Pedro, o discípulo impetuoso, pediu para caminhar sobre as águas para ir ao encontro de Jesus. O Mestre disse para Pedro ir.
Fico tentando imaginar o que os outros discípulos pensaram sobre Pedro. Talvez que ele estivesse muito abalado com tudo o que estava acontecendo.
Pedro, sem dar atenção aos fatores externos, parte em direção ao Mestre. Passo a passo, anda sobre as águas. Que experiência maravilhosa deve ter sido! Contrariar as leis naturais da física, ver e participar de um milagre novamente!
Mas, quando Pedro começou a reparar na força do vento, foi tomado por muito medo. Desviou o olhar de Jesus e começou a afundar.
Por vezes nosso olhar é desviado para as pessoas com suas atitudes falhas (esquecendo que falhamos também), conceitos, preconceitos vãos, mágoas, situações mal resolvidas, religiosidade aparente e tantos outros ventos que querem fazer a nossa fé submergir.
A vaidade sobre nossas ações e conquistas também nos tira o foco. Pode ser que Pedro ao começar a dar os primeiros passos sobre a água pensou “Veja como eu sou bom, enquanto os outros estão lá no barco, eu consigo andar sobre as águas...”
Nossas ações e conquistas não terão o efeito completo se não tiverem o objetivo de glorificar a Deus. Se o nosso pensamento for de honrar a Deus, certamente os resultados virão.
Em nossa caminhada, muitos fatores externos irão tentar tirar os nossos olhos de Jesus. Olhamos para os lados, para trás, colocamos atenção em tudo, menos no alvo, que é o Senhor!
Devemos sempre lembrar as palavras de Paulo, em Fp. 3:13b e 14 “esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus
Cristo te estende sua forte mão
Mesmo em momentos em que nossa fé vacila, que o nosso foco é mudado, podemos, como Pedro, pedir que o Senhor nos salve. Que Ele nos dê a Sua mão (Mt. 14:30-31).
Podemos olhar ao nosso redor e tudo parecer adverso, mas, ao retornarmos os nossos olhos para Cristo, será possível andar sobre as águas e vencer os ventos, não por nossas próprias forças, mas, porque Ele está conosco.
Ele não nos disse que a travessia do lago seria fácil. Ventos e ondas podem estar contra nós, mas Ele ainda nos diz “Tende bom ânimo, sou Eu, não temais!”.
Que maravilha é poder crer no Deus do impossível e estarmos certos de que Ele nos estende sua forte mão.
“Sempre perto está, sempre te ouvirá Cristo, o Senhor.
Não te deixará, nunca falhará seu grande amor.
Lembra que nas horas de tristeza e aflição
Cristo te estende sua forte mão”
(Ralph Richard Carmichael)
(Joice Mota)

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