quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Diga não aos Papagaios!


(Mateus 15:1-20)

Neste texto de Mateus, os fariseus perguntaram a Jesus o motivo dos seus discípulos comerem sem lavarem as mãos. A lavagem das mãos referida neste texto, não tinha a finalidade de higiene, mas era um ritual religioso. Não era preceituada pela Lei, mas era uma mera invenção dos mestres da Lei.

Jesus lhes disse então que estes rituais não tinham valor, já que a verdadeira impureza, era procedente do coração. Ele também condena os fariseus por terem tornado a Palavra de Deus algo nulo, sem efeito e terem a limitado a tradições humanas.

Se pararmos um pouco para pensar, veremos que a situação atual não é muito diferente. E então você pode pensar: “É verdade, no mundo está assim mesmo...” De fato está, porém o Senhor fala este texto para o povo que já o conhecia, que já conhecia as Escrituras de capa a capa, não para os que estavam fora. Em meio ao nosso arraial, as coisas estão caminhando deste ponto para pior e então cada vez mais estamos enchendo nossas igrejas de papagaios.

O papagaio é uma ave com uma característica interessante. Ela tem a capacidade de, se domesticada, reproduzir frases que os humanos falam. Certamente você já ouviu a popular frase “Dá o pé, louro!” dita por algum papagaio, que de tanto ouvir o seu dono falar, aprendeu a reproduzir.

Há alguns donos de papagaios que até ensinam hinos e o tal do evangeliquês para eles.

Mas, apesar de tantas vezes reproduzirem perfeitamente o que estão acostumados, o papagaio não tem a capacidade de raciocinar e de entender o sentido e a importância do que ele fala. Para ele falar “dá o pé, louro!” ou cantar um hino ensinado pelo seu dono é a mesma coisa.

Algo que me chama bastante a atenção são nos momentos das pregações e dos cânticos nas igrejas. É interessante muitas vezes no meio da pregação, quando o preletor começa a falar um versículo e imediatamente já sabemos completá-lo, porque decoramos o versículo em algum momento da nossa vida. Ou então quanto cantamos e aprendemos belas músicas, temos o poder de fazer com que emitamos somente sons.

Tantas vezes estamos com nossos lábios falando de Deus para alguém, ministrando uma aula, pregando, cantando, até mesmo dizendo que precisamos viver o que cantamos, mas as nossas atitudes, que procedem do nosso coração (aqui no sentido de mente) demonstram que estamos longe do que Deus quer pra nós.

Como os papagaios, estamos só repetindo as letras que fomos domesticados, sem dar a devida importância ao que expressamos com nossos lábios. São palavras vazias jogadas ao vento, simplesmente isso. Palavras desconectadas de atitude, palavras ditas com os lábios, mas com o coração bem longe do propósito do Senhor, conforme havia profetizado Isaías.

Em vão temos adorado ao Senhor, emitindo sons, versículos decorados, hinos e só isso! Contaminamos a nós mesmos e ao ambiente que vivemos com nossas palavras que procedem do coração. Magoamos e iludimos as pessoas com palavras, magoamos ao nosso Deus com nossas palavras vazias de significado real na prática.

Da mesma forma são as atitudes, desconectadas das palavras. Como robozinhos programados realizamos ações sem saber o significado delas e então também magoamos, iludimos as pessoas, servimos de tropeço e não testemunhamos do nosso Deus.

É necessário que as palavras e as ações sejam conectadas, já que ambas tem a mesma fonte, o coração. Mas, tantas vezes como estamos com o coração longe, tão longe de Deus que as ações tornam-se rituais e as palavras simples repetições.

Damos tanto valor aos rituais e pouco valor ao que realmente interessa, o coração.

Que possamos realmente pensar e repensar sobre nossas atitudes e palavras, para que sejam conectadas com a vontade de Deus. Que o nosso desejo seja fazer da nossa vida com Deus um sacrifício vivo e não meros rituais vazios e que o nosso coração esteja tão ligado a Deus, de forma que proceda de nós palavras e atitudes que não contaminem, mas sim, edifiquem.

(Joice Mota)

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