segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Detalhes Que Não São Meros Detalhes


Texto Base: Juízes 13 a 16

Há alguns anos precisei ficar uma semana com o pé engessado. O motivo foi um estiramento no tendão de Aquiles, causado por um tropeção num buraco que havia na calçada.

Foi algo repentino. Eu andava depressa para ir ao trabalho e quando vi já tinha virado o pé e estava sentindo muita dor. Pensei “tantos problemas e tanta dor por causa de um buraco pequeno na calçada, como eu não prestei atenção?!”

O interessante é que eu não tropecei em um desnível muito grande, em um degrau ou em um pedregulho, foi num pequeno buraco na calçada!

Então, lembrando deste fato, comecei a pensar que tantas vezes na vida não prestamos atenção nas pequenas coisas, nos detalhes e aí quando vamos perceber, já estamos sentindo a dor da queda.

A Bíblia nos mostra a história de um homem chamado Sansão que não atentou-se aos detalhes (que não eram só meros detalhes) e que foi dar conta da falta de atenção, somente quando já havia caído.

A Necessidade de um Libertador

Mais uma vez os israelitas tinham feito o que era mal aos olhos do Senhor e então Deus os entregou nas mãos dos filisteus por 40 anos. Como já havia feito, o Senhor mais uma vez, levanta um juiz em Israel com a tarefa de libertação. Desta vez, o juiz era Sansão, que significa, o Sol.

Assim como aconteceu com Jesus, Sansão teve um nascimento previamente anunciado por um anjo. Este anjo chegou a um homem da tribo de Dã chamado Manoá, que era casado com uma mulher que era estéril, e anunciou que sua esposa ficará grávida e que a criança será consagrada nazireu de Deus desde o ventre de sua mãe.

Conforme Nm 6:1-21, a Lei do Nazireado implicava em uma série de restrições, entre elas, não tocar em cadáver, não tomar vinho ou bebida fermentada.

Os pais da criança receberam outra visita do anjo que os orientou em todos os detalhes da educação do menino. Sendo assim, tudo estava preparado para que o menino nascesse e cumprisse a missão dada por Deus.

Chegando o devido tempo, nasceu Sansão e o Espírito do Senhor estava com ele (naquele tempo, o Espírito do Senhor era aplicado nas pessoas para cumprirem propósitos específicos).

Assim como Jesus Cristo é nosso libertador, Sansão recebeu a missão de ser libertador dos israelitas das mãos dos filisteus.

Podemos pensar então, que nada daria de errado na missão de Sansão, afinal de contas, ele e seus pais tinham bem claras quais eram as orientações para a educação do menino e sobre a Lei do Nazireado, no entanto, veremos que não foi assim que ocorreu. Sansão não atentou-se aos detalhes e então foi caminhando aos poucos para uma terrível queda.

O primeiro detalhe: Escolhas

Sansão desceu para Timna e então viu uma filistéia, a qual o agradou. Note que o texto bíblico (Jz 14:1-5) não menciona nada que Sansão afeiçoou-se pelo que a moça era, pelo seu caráter, inteligência ou qualquer outra característica interior. Fica bem claro que Sansão viu somente a aparência da moça, inclusive ele até declara ao seu pai (v.3) “(...)Tomai-me esta, porque ela agrada aos meus olhos”.

Manoá, como um pai cuidadoso, admoestou Sansão a escolher uma esposa entre o seu povo, porém Sansão mostrou-se decidido a casar com a filistéia.

Sansão não atentou-se aos detalhes e então, formou um casamento de jugo desigual. Pense na incoerência desta decisão: Sansão foi levantado juiz para libertar o povo dos filisteus e agora ele se une a uma filistéia? Certamente havia algo errado.

Será que como Sansão estamos fazendo as nossas escolhas baseadas no exterior, em nossa própria vontade e esquecemos de analisar e ouvir a orientação de Deus?

O segundo detalhe: Prazer

Em certa ocasião, quando Sansão caminhava, encontrou um cadáver de um leão. Este cadáver era de um leão que ele mesmo havia matado quando descia à Timna com seus pais.

No cadáver deste leão havia um chamativo um enxame de abelhas com mel. Mais uma vez, Sansão não atentou-se aos detalhes e então, para uma satisfação momentânea, quebrou um dos votos do Nazireado: tocou no cadáver para retirar os favos de mel.

Hoje em dia estamos na geração “on-line”, em que é declarado por aí que tudo vale a pena pelo prazer momentâneo. Não importa as implicações que uma atitude vai trazer se esta pode causar prazer. Tal qual Sansão, não nos atentamos aos detalhes e às vezes por muito pouco, preferimos desobedecer aos preceitos de Deus.

O terceiro detalhe: Missão

Durante os sete dias das bodas com a filistéia, Sansão propôs um enigma aos colegas filisteus. Ele disse que se o enigma fosse descoberto ele presentearia os homens com vestes festivas e lençóis.

Três dias haviam se passado e nada de respostas para o enigma. Quando chegou o sétimo dia, os filisteus solicitaram que a mulher de Sansão persuadisse o seu marido para que ele revelasse a resposta do enigma. A mulher perguntou, porém Sansão não revelou, no entanto, depois de sete dias de insistência de sua esposa, Sansão falou a resposta do enigma a ela e ela por sua vez, falou aos filisteus. Mais uma vez, Sansão não atentou-se aos detalhes.

O Espírito do Senhor apossou-se de Sansão e então ele matou trinta homens filisteus, ficou muito irado e foi para a casa de Manoá, seu pai.

Sansão voltou um pouco mais calmo e foi visitar a sua esposa, porém qual não foi a sua surpresa ao saber que ela havia sido dada ao seu companheiro. Ele ainda recebeu do pai da moça a proposta de ficar com a filha mais nova, porém recusou.

Tomado por uma grande ira, Sansão fez um arranjo com trezentas raposas de modo que elas colocaram fogo na seara dos filisteus. Ao saberem que o causador de tamanha tragédia era o genro do timnita, imediatamente os filisteus colocaram fogo na esposa de Sansão e no pai dela.

Quanta confusão que um homem só causou no meio de um povo! A cada “surpresa” que Sansão trazia aos filisteus, mais aumentava o ódio deles e a vontade de ver o tal juiz derrotado.

Podemos perceber que de certa forma, Sansão estava cumprindo a sua missão de livrar o povo da mão dos filisteus, porém entre as atividades de sua missão, Sansão perdia seu tempo quando não se atentava aos detalhes.

O quarto detalhe: Foco

Após o episódio dos incêndios, os filisteus amarraram Sansão com cordas novas e já começaram a comemorar que haviam capturado tamanho encrenqueiro. Porém, novamente o Espírito do Senhor apossou-se de Sansão e as cordas que o amarravam se desfizeram como se fossem linhas e então Sansão fica livre.

Aproveitando esta liberdade, Sansão encontrou uma queixada de um jumento e com ela feriu mil homens.

Depois de uma batalha como esta, Sansão estava cansado e encontrou descanso e refrigério vindos de Deus, quando o Senhor fendeu a caverna em que ele estava e fez nascer água para revigorar Sansão.

Apesar dos deslizes, Sansão estava cumprindo sua missão de juiz. Julgou Israel por vinte anos.

Quando tudo parecia que ia começar a caminhar bem, Sansão foi para Gaza e juntou-se à uma prostituta. Os gazitas ficaram esperando Sansão sair pela manhã para o matarem, porém ele saiu antes do amanhecer e travou as portas da cidade.

Mais uma mulher apareceu no caminho de Sansão, desta vez era Dalila (que significa traição). Sansão se interessou por ela e então começaram um relacionamento. Mais uma vez, o juiz não se atentou aos detalhes e uniu-se em jugo desigual.

Os filisteus pediram que Dalila persuadisse Sansão para que ele revelasse qual era o segredo de tão grande força, afinal de contas, muitos filisteus já haviam sido vítimas da força de Sansão.

Por três vezes Sansão enganou Dalila e informou mentiras sobre a origem de sua força, porém depois de tanta insistência por parte de Dalila e a cegueira espiritual de Sansão em relação aos detalhes, ele revelou que a navalha nunca havia passado pelo cabelo dele. É interessante notar que a esta altura Sansão já estava tão longe de Deus não atribuiu a sua força ao Espírito do Senhor que se apossava dele. Sansão havia perdido o foco.

Novamente, Sansão não se atentou aos detalhes. O segredo foi revelado e então o Espírito do Senhor se retirou de Sansão. Como em todas as outras vezes, mesmo com os “escorregões” o Senhor livrou Sansão, ele achou que desta vez aconteceria o mesmo, porém havia chegado o tempo de aprender a lição!

Pobre Sansão! O juiz forte e corajoso tornou-se motivo de zombaria para os filisteus. Em vez de posição de honra por julgar o povo e andar de acordo com a vontade de Deus, Sansão estava com os olhos furados e ocupando a posição que um animal ocupava no moinho. Tamanha humilhação!

Os filisteus o colocaram no templo de Dagom para zombarem mais um pouco dele e então é neste momento que Sansão se atentou aos detalhes e pediu a Deus que como perdão, lhe desse a oportunidade de matar os filisteus, não importando se ele fosse morrer junto com eles. Sansão derrubou as colunas do templo e matou em uma única vez mais pessoas do que matou em sua vida toda.

A Necessidade de Atenção

Podemos perceber que a terrível queda de Sansão não foi algo repentino. Ele não viu Dalila, revelou o segredo e pronto, a história acabou por aí. A queda de Sansão ocorreu os poucos, sem que ele percebesse. Sansão não atentou-se aos detalhes e então fez escolhas erradas e perdeu o foco da sua missão. Ele não buscou forças em Deus e acabou sendo derrotado por sua própria soberba.

Sansão foi caminhando passo a passo como se estivesse em direção a um precipício. Se Sansão se atentasse logo aos detalhes, certamente perceberia que não eram meros detalhes. Cada escolha, cada impulso, estavam o afastando mais de Deus.

Certa vez, li no excelente livro Gente como a Gente (Jaime Kemp) uma ilustração interessante que conta como um esquimó mata um lobo. O esperto esquimó mata pega um peixe ou uma ave morta e espalha o sangue do animal em uma faca, então, coloca esta faca para congelar e vai repetindo este procedimento de camada de sangue e camada de gelo até que a faca fique totalmente coberta de gelo, de modo que não seja possível ver a faca, só se vê o sangue congelado. Então o esquimó deixa esta faca “disfarçada” na parte externa do iglu. O lobo (com o seu excelente faro) sente o cheiro de sangue e então começa a lamber o sangue. Acontece que à medida que vai lambendo o sangue para satisfazer os seus desejos, mais aproxima-se da faca e sem perceber a faca vai perfurando a língua e a garganta até que o lobo morre. Então, no dia seguinte, o lobo está lá, totalmente morto sobre o chão.

Precisamos vigiar e estar atentos aos detalhes que podem nos impedir de termos uma real comunhão com Deus e desviar da missão que Ele tem para nós. Tantas vezes as escolhas erradas, a ausência de domínio próprio, a soberba e a perda do foco nos distanciam do Pai.

O interessante é que a maioria das vezes, não tropeçamos logo em coisas grandes. Caímos nas pequenas coisas, nos detalhes em que não vigiamos. Achamos que só uma vez não faz mal, que todo mundo faz, que não vai trazer mal a ninguém ou que vale tudo por um momento e então, destruímos o que Deus tem para nós.

Como Sansão, temos um Deus que tem uma missão para cada um de nós e o Senhor deseja que sejamos servos que cumpram a missão que Ele nos designou, porém, Ele nos dá a liberdade de obedecermos ou não. Deus sempre nos ajudará a cumprir a missão, como fez com Sansão, dando vitórias sobre os filisteus, porém, se nos afastamos de Deus e temos uma vida incompatível com a vontade do Senhor não é possível sermos instrumentos na mão de Deus.

Que possamos refletir como anda a nossa comunhão com o Pai. Como estamos colocando atenção aos detalhes? Temos vigiado e tomado cuidado ou estamos ignorando as pequenas coisas e como aquele lobo da ilustração, estamos atrás de satisfação, mas ao mesmo tempo, estamos nos matando pouco a pouco?

A boa notícia é que há tempo para volta! Assim como Sansão arrependeu-se nos últimos momentos de sua vida, hoje é tempo para arrependimento e para reconciliação com o Senhor. Não espere ter uma queda trágica para voltar os seus caminhos a Deus! Arrependa-se hoje.

Se a queda já houve, não fique com os olhos furados, de modo que você não enxergue uma saída. Reconcilie-se com Deus e retome o exercício da missão que Ele tem para você.

Sansão está novamente citado no livro de Hebreus na conhecida Galeria da Fé, comprovando que o Senhor deu a ele a vitória sobre o pecado e a queda.

Estejamos alerta aos detalhes para não fazermos deles passos para uma grande queda!

Saia da Zona de Conforto

Texto base: Mc. 10: 17-27

Contexto:

Jesus realizava um ministério itinerante, ou seja, dificilmente se fixava em um mesmo lugar por muitos dias. Passava de cidade em cidade, aldeia por aldeia.

Em cada uma destas paradas, temos diversos relatos do Senhor Jesus operando milagres, ensinando e realmente exercendo com total entrega e dedicação o seu ministério terreno. Jesus marcava de forma profunda e significativa a vida das pessoas de todos os lugares pelos quais ele passava.

Este episódio que lemos no texto base aconteceu no território da Judéia. Jesus estava passando por aquela região e como de costume, quando Ele chegava em algum lugar e rapidamente uma multidão já ficava perto dele para ouvir os ensinamentos preciosos do Filho de Deus. Neste contato com a multidão, Jesus falou com os fariseus a cerca da lei, abençoou as criancinhas e então, quando estava já saindo de lá um jovem correu ao encontro dele¸ se colocou de joelhos, o reconheceu como mestre e então, fez uma interessante pergunta: “Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?”

Diante deste cenário, quero convidá-lo a refletir em alguns pontos interessantes que o desenvolvimento desta conversa entre o jovem rico e Jesus tem a nos ensinar.

Uma pergunta interessante com uma resposta inesperada

Ao ouvir a pergunta do jovem rico é interessante observar que Jesus, em uma sentença afirmativa, reconhece o que o moço tem feito. “Você conhece os mandamentos: não matarás, não adulterarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não enganarás ninguém, honra teu pai e tua mãe” (v. 19)

Em seguida, vemos que o jovem de imediato dá a resposta e parece muito tranqüilo, porque já guardava os mandamentos desde a adolescência. Como dizemos por aí, o moço estava “bem na fita”. Pronto! Pergunta respondida.

O Senhor está ciente do que fazemos para a obra dEle. Em Apocalipse 2: 2,3 está escrito: “Conheço as suas obras, o seu trabalho árduo e a sua perseverança. Sei que você não pode tolerar homens maus, que pôs à prova os que dizem ser apóstolos mas não são, e descobriu que eles eram impostores. Você tem perseverado e suportado sofrimentos por causa do meu nome, e não tem desfalecido”

Ele sabe de todas as ações e intenções que temos para o trabalho na causa dEle. Mas será que é correto dizer que todas as nossas ações e intenções são aceitas por Deus?

No texto de Efésios 2: 8, 9 lemos Pois você são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não vem por obras, para que ninguém se glorie.”

Sejam poucas ou muitas, as nossas ações não nos farão herdar a vida eterna. Somos salvos pela graça e isso não vem de nós, é dom de Deus! Dom é um presente!

Em nenhum momento, Jesus expressa desabono com a dedicação do jovem a observação dos mandamentos, porém, continuando no texto base, podemos ver no v. 21 que a lição mais importante que Jesus queria ensinar, não era a da observação dos mandamentos, por mera observação ou legalismo, mas sim que o cumprimento da Lei é o amor, tanto é que com base no amor Ele resumiu a lei toda em 2 mandamentos que são: “ame a Deus sobre todas as coisas e ao próximo com a ti mesmo”.

O Mestre olhou para o jovem e o amou (amor ágape – amor de Deus aos homens, de forma incondicional) e justamente por amá-lo, foi necessário dar-lhe uma resposta inesperada.

Tantas vezes, como o jovem rico, nos dirigimos ao Senhor pedindo que Ele nos mostre determinadas respostas, porém, quando o Deus nos responde, temos dificuldade de aceitar o que Ele nos diz. Perguntamos formalmente querendo receber uma resposta que nos agrade, que nos deixe com a consciência tranqüila, porém, nem sempre é isso que o Pai tem a nos dizer. Aí falamos “mas eu orei por isso, orei por aquilo”, mas onde está a sensibilidade para receber a resposta de Deus e a disponibilidade para obedecer?

Justamente por nos amar, se colocamos a nossa vida ao dispor dEle, Ele nos falará o que é necessário. É importante ter em mente que pedir algo a Deus envolve: ter sensibilidade para receber a resposta e disponibilidade para obedecer.

Ações não pagam o amor de Deus

Precisamos cuidar para que as nossas ações não se tornem meras ações e palavras não sejam meras palavras. Não há ação ou palavra válidas para Deus se estas não estiverem sendo proferidas por amor a Ele. Em Apocalipse 2:4, após reconhecer as ações que a igreja de Éfeso, Ele diz: “Contra você, porém, tenho isto: você abandonou o seu primeiro amor.” E também está escrito em Marcos 7:6b “Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim” .

Corremos o risco de nos envolver em nossas ações, cargos e compromissos eclesiásticos que dizermos ser da obra do Senhor, mas, na verdade, esquecermos de dedicar amor ao Senhor da Obra. E então, nossa visão fica restrita ao que fazemos e não ao que somos. Começamos a acreditar até mesmo sem querer que as nossas ações podem garantir a nossa vida eterna. Não! A vida eterna já foi conquistada por um alto preço, a vida do Filho de Deus. E não há quantidade de ações humanas que possa pagar um amor incondicional assim.

O que Deus nos pede é somente o amor, amor sincero de um coração próximo a Ele. As ações são conseqüência do amor a Ele, que já deve ter vindo em primeiro lugar.

Se como o jovem rico, colocamos o legalismo na frente do amor a Deus, fatalmente iremos nos sentir confortáveis e acomodados, acreditando que ao fazer a ação X, Y ou Z já cumprimos a nossa obrigação. E se eu faço mais que você então?! Estou mais salvo? Sou mais crente? Não! As pessoas conhecem o exterior, mas Deus, conhece o coração.

Digo a vocês que de nada valem os ensaios realizados para as músicas deste culto, a quantidade de leituras que você faz, a porcentagem que você contribui, se o amor a Deus não vier antes de tudo isso.

Qual é o seu tesouro?

Como o jovem rico, você pode já conhecer os mandamentos há muito tempo e estar confortável nesta situação. Mas, seguir a Jesus, requer o conhecimento transformado em prática. Transformar o conhecimento em prática, requer sair do comodismo. Requer sair do “eu faço isso ou aquilo”, “eu cumpro minhas obrigações na igreja”, “eu tenho X cargos”, “eu contribuo com X %”, etc.

Em primeiro lugar deve vir a prática do amor genuíno, daquele amor em que você aproxima o seu coração de Deus.

Ao responder ao moço (v.21), Jesus percebe que o coração do jovem estava mais próximo dos tesouros terrenos do que de Deus e então, pede que ele venda os bens e dê aos pobres e Jesus terá para ele um tesouro no céu. Basicamente Jesus pede que o jovem demonstre o que ele aprendeu, teoricamente, na lei, de uma forma prática e mais que isso, tirar o coração dos tesouros terrenos e então, aproximar o coração de Deus.

A palavra tesouro pode ser aplicada não somente para a questão financeira, como era nesta situação do jovem, mas também pode ser aplicada como aquilo que toma o lugar de Deus em nossa vida, porque onde está o nosso tesouro, ali estará também o nosso coração.(Mt. 6:21)

Certamente não era esta a resposta que o moço gostaria de ter, tanto é que ele sai contrariado e triste.

Cabe então aqui uma reflexão: o que tem tomado o lugar do Senhor em sua vida? O trabalho? A faculdade? Os cargos? As obrigações eclesiásticas? O ativismo? A maledicência? A internet? O rancor? Enfim, poderíamos ter aqui uma lista enorme de itens que podem tomar o lugar do Senhor, porém cabe a nós, analisarmos profundamente e sinceramente, com sensibilidade para receber a resposta e disponibilidade para obedecer.

Atente-se para o que o Senhor está falando com você. Ele tem ciência do que você já tem feito, porém, deseja que o seu coração esteja mais próximo dele.

“Repreendo e disciplino aqueles que eu amo. Por isso, seja diligente e arrependa-se. Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo. Ao vencedor darei o direito de sentar-se comigo em meu trono, assim como eu também venci e sentei-me com meu Pai em seu trono. Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas.” (Ap. 3:19-22)

Ele nos olha e nos ama com amor eterno e ainda hoje nos fala: “Falta-lhe uma coisa. Vá (dedique mais tempo ao estudo bíblico, ore mais, ajude ao seu próximo, contribua com generosidade, perdoe seu irmão, pense mais antes de falar, seja mais gentil, seja mais responsável...) e te darei um tesouro no céu. Venha e siga-me.

Pode ser que o que o Senhor esteja pedindo para você deixar ou entregar a Ele seja para você, algo muito difícil, mas, gostaria de convidá-lo e até mesmo desafiá-lo a agir diferentemente de como o jovem agiu. Não saia triste e contrariado, ainda que isso seja mais cômodo, mas sim, entregue ao Senhor. Tenha Deus como seu maior tesouro. Como está no v. 27 “Para o homem é impossível, mas para Deus não; todas as coisas são possíveis para Deus”.

Acredite neste Deus do impossível! Ele tem um tesouro no céu para você.