
O livro de Daniel nos traz lições sobre coragem, firmeza, humildade, fé, diferença, enfim tantos itens que daria assunto pra muito tempo.
Gostaria de focar neste artigo os capítulos sobre os sonhos de Nabucodonosor.
Como todo rei, ele gabava-se do seu reino, da sua linda e poderosa Babilônia. Terra forte, de gente inteligente e de grandes e belas construções, como por exemplo, os Jardins Suspensos, que é considerado como uma das 7 maravilhas da antiguidade.
- O 1º aviso (Dn 2)
Nabudonosor teve um sonho que o deixou bastante inquieto e após tentativas frustradas de interpretações pelos astrólogos do reino, o Senhor permitiu que Daniel interpretasse o sonho.
Relembrando um pouquinho o sonho era este (Dn 2): O rei estava olhando uma estátua grande e esplendorosa que estava em pé e tinha uma aparência terrível, com cabeça de ouro, braços de prata, barriga e coxas de bronze pernas de ferro e de barro. De repente, toda esta imponente construção foi esmigalhada ficando como palha que o vento leva.
A Interpretação: o rei é a cabeça de ouro e as outras partes (metais menos valiosos) são reinos que irão dominar sobre o ouro. Os pés de ferro e barro significam um reino dividido (uma parte forte e outra fraca). No fim, tudo seria destruído, ficando somente o Reino do Senhor Deus.
"Mas, nos dias desses reis, o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído; e este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos esses reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre" (Dn. 2:44)
Esta foi a 1ª advertência de Deus para Nabucodonosor, embora ele fosse considerado a "cabeça de ouro" aos olhos dos outros, perante Deus, o reino terreno de Nabucodonosor era como palha que o vento leva. O Senhor mostra que a humildade, mesmo em posição de destaque era fundamental.
- O 2º aviso e a conseqüência (Dn 4)
Passado um tempo, Nabucodonosor teve um outro sonho que o preocupou bastante e novamente Daniel foi usado por Deus para interpretá-lo.
Resumidamente foi assim (Dn 4): Nabucodonosor estava olhando uma árvore grande com uma folhagem bonita e com muitos frutos. Várias aves e seres viventes viviam nesta árvore. Então desceu um vigia do céu para destruir a árvore e deixou o tronco dela atado com cadeias de ferro. Também foi dada uma sentença para mudar o coração de homem por coração de animal durante 7 tempos.
- Interpretação: A árvore era a grandeza do rei. No tempo certo, esta grandeza seria destruída e o rei seria tirado dentre os homens e viveria como um animal (corpo molhado pelo orvalho, cabelo crescido como penas de águias e grandes unhas), por este motivo que seria mudado o coração de homem para o de animal (na antiguidade acreditava-se que o coração era o centro das emoções, por este motivo que na Bíblia e em diversos textos poéticos encontramos coração no lugar de cérebro). Isso quer dizer que o rei viveria como se tivesse o cérebro de um animal "irracional".
O reino só voltaria ao rei quando ele reconhecesse que o céu (Deus) é quem realmente reina.
Daniel aconselha que o rei se arrependa. Esta foi a 2ª advertência de Deus, mostrando a Nabuconosor que ele precisava de humildade.
De nada adiantou.
Um belo dia Nabuconosor estava passeando pela Babilônia e então começa a engrandecer-se por causa dos seus feitos "Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com a força do meu poder, e para glória da minha magnificência?" . E então antes mesmo que ele terminasse de falar o sonho se cumpriu e lá estava o grande e poderoso rei como um animal.
O Senhor falou por várias maneiras e deu chances para que ele repensasse sobre o comportamento dele, antes de "cair em terra" como um animal.
- Parando pra pensar
Amado, quanta vez Deus fala conosco nas pregações, cânticos, leitura da Bíblia e até por meio de outras pessoas, advertindo-nos a revermos nosso comportamento e nossas atitudes em no ministério e não damos atenção à voz do Senhor?
Preferimos tantas vezes agarrar o ministério com todas as forças e esquecemos que o ministério é a oportunidade de agradecermos ao Senhor por tudo o que Ele tem feito por nós, e se Ele nos deu dons pra exercitarmos nos ministérios, estes devem ser utilizados para a glória dEle.
Então convido você a parar um pouquinho para pensar nestas questões:
1. Para quem está sendo o ministério? Para o Senhor Deus ou para o Senhor(a) Eu?
2. O ministério tem sido oportunidade de servir ou oportunidade para aparecer?
3. Como são minhas atitudes perante "frustrações" no meio do caminho, por exemplo, na hora de dar oportunidade para os outros ou quando esta oportunidade para o outro vai me impedir de aparecer, de "estrelar"?
4. Se sou convidado para algo, me dedico realmente para ter bons resultados para o louvor ao Senhor ou para o louvor próprio?
5. Como reajo perante os elogios? Agradeço à pessoa que o fez e mostro que se não fosse pela direção de Deus eu não seria capaz ou então utilizo aquele elogio para encher mais um pouquinho a minha vaidade e estrelismo?
Querido, o Senhor disse por diversas vezes que Ele quer misericórdia e não holocausto. Deus se agrada daquilo que é feito para Ele com a profunda intenção de adorá-Lo em espírito e em verdade. Ele não quer de nós um comportamento como o dos fariseus, que na sinagoga demonstravam algo, mas o coração (mente) deles estava muito longe daquilo que falavam e aparentavam.
Carol Cymbala, regente do Brooklyn Tabernacle Choir (que já ganhou diversos prêmios Grammy da Música) diz o seguinte; "Devemos trabalhar para Deus nos bastidores porque o centro do palco é para Deus aparecer." Logo, somos instrumentos para a glória de Deus.
Quantas vezes queremos estar no centro do palco, quando na verdade, o nosso lugar é nos bastidores, para que o centro seja ocupado pelo Senhor que é o único realmente digno de louvor, adoração e honra!
Jesus, que é o Rei dos Reis, Senhor dos Senhores, tomou postura de servo e lavou os pés dos discípulos. É hora de pensarmos assim.
Que ao cantarmos e ouvirmos músicas como "Ao único que é digno de receber a honra e a glória, a força e o poder", "Tu és Senhor absoluto", "...poder, majestade, louvores ao Rei", "a glória desta terra é passageira, a vida passa e tudo o que ela traz", e tantas outras lindas canções como estas que conhecemos, possamos não somente repetir uma composição bem feita, mas que seja um momento de profunda reflexão sobre realmente dedicarmos a glória ao Senhor.
Que não sejamos como Nabucodonosor que foi avisado muitas vezes, mas não deu ouvidos à voz do Senhor e então precisou passar por um doloroso e intenso processo para reconhecer que o poder e a glória pertencem somente a Deus.
"E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra. " (II Crônicas 7:14)
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